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.MJoão Sousa

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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
CRÍTICA LITERÁRIA (João Gaspar Simões)

 

NO DOMÍNIO DA METÁFORA

 

Se volvermos olhos à nossa poesia clássica, vemos, por um lado, uma corrente a que poderemos chamar "imagista", e nela se contam um Bernardim, um Rodrigues Lobo ou um Gonzaga, e outra a que poderemos camar "metafórica", onde Camões, Sá de Miranda ou Bocage estão à vontade. salvo o que há de arbitrário em classificações deste quilate, o certo é que estas duas tendências se perpetuam ao longo da nossa história literária. Correspondem a duas formas de mentalidade: uma instintivamente lírica, outra lírica consciente ou semi-conscientemente. Nesta última se integram muitos dos chamados poetas "modernistas" ou modernos.

Efectivamente, a nossa poesia moderna ou "modernista" pôs em causa a metáfora como forma de expressão poética corrente. A poesia de Fernando Pessoa, mesmo quando é aparentemente directa, assenta sobre a metáfora. nela a expressão não é espontânea. Nela não é nua e directa a "idea", chamemos-lhe assim. Dir-se-ia que, para os poetas modernos, a poesia é condensação mais ou menos consciente, em formas líricas alusivas a emoções, sensações ou ideias que, em si mesmas, não podem ser poéticas.

Lendo os versos do último livro de António de Sousa, "O Náufrago Perfeito" (Atlântida, Coimbra), apresentou-se-me em toda a sua complexidade, o problema dessa poesia metafórica que é, com raras excepções, a dos poetas que continuam a tradição "modernista". O autor de "Ilha Deserta" é, antes de mais nada, um intelectual. Poeta, verdadeiro Poeta, na capacidade de se integrar na postura do homem que apenas recolhe da vida o mel das emoções, António de Sousa não pode, não sabe ou não quer vir até ao parapeito da Poesia na inocência das imagens que se lhe precipitam do fundo da sua natureza emocional e, assim, cada uma das suas composições é uma espécie de metáfora a que se amputaram os pontos de relacionação.

 

...olho os cabelos brancos

dêste dia de outono

- a chuva sossegada

 

e ainda ontem brinquei horas e horas

com o sol e com a lua!

 

Quem roubou essas pedras do meu jôgo

e, de repente, nos envelheceu

- a mim

e ao céu?

 

(continua)

 

In - Diário de Lisbôa, 21.2.1945


sinto-me:

publicado por poetaporkedeusker às 13:25
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