Amigos! Eis aqui o dos olhos de mel! O Poeta!
.MJoão Sousa

Cria o teu cartão de visita
Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
EVA

Quando jurei viver pelo teu nome,

deslumbrado, julguei que renascia

na infância do mundo, um certo dia,

antes do mal, das lágrimas,da fome.

 

E fiz de ti, amada que não amas,

com pecados mortais, o Paraízo!

Escravo do teu Dia-de-Juízo

como um farrapo que se atira às chamas!

 

Por ti andei na sombra da loucura

- sombra de amor, de raiva, de ciúme -

meu demónio, meu deus, minha tortura!

 

Se ao menos fôsses minha!... - Nos meus braços,

feroz, - tão longe! - a tua voz de lume

é só duns céus exóticos e baços!...

 

 

In - "Caminhos" - Composto e impresso na tipografia da "Seara Nova"

                           Lisboa, 1933

                           Capa de Diogo de Macedo

      


sinto-me:

publicado por poetaporkedeusker às 13:05
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14 comentários:
De Fisga a 23 de Outubro de 2008 às 18:32
Olá Poetaporquedeusquer. Mais um lindo poema com que tu honraste aquele, que onde estiver te está venerando e velando por ti certamente.
Um abraço Eduardo.


De poetaporkedeusker a 23 de Outubro de 2008 às 23:19
Obrigada Eduardo. Esteja ele velando por mim, ou não, eu contnuarei a zelar pela sua memória nquanto puder, Deus quiser e vocês o forem lendo.
Abraço grande!


De M.Luísa Adães a 24 de Outubro de 2008 às 18:39
António

Li o teu poema e estou encantada com a tua forma de dizer.
Poeta incontestado, te presto a minha Homenagem!

benvindo á Net.

maria Luísa


De poetaporkedeusker a 25 de Outubro de 2008 às 12:30
Eu estou aqui para te agradecer em nome dele, uma vez que me coube a tarefa de reeditar online as suas obras. Estou, neste momento, sem anti vírus. Não funciona. Não actualiza. Vou continuar a arriscar. Neste momento estou a preparar-me para ir comentar e agradecer um poema do meu avô que o meu amigo Cateespero teve a bondade de postar no seu blog. Depois tentarei ,ainda, postar o soneto do dia.
Um abraço e muito obrigada pelas tuas palavras.


De M.Luísa Adães a 25 de Outubro de 2008 às 13:48
agradeço responderes e já falei acerca do comentário que me fazes; por favor, lê no meu blogs.

Ao Poeta António de Sousa pretendo escrever-lhe, mais vezes e levar , um pouco da sua Alme poética, para mim, se possível.

hoje não o posso fazer; vou abrir uma exposição de pintura onde predomina a Arrábida - tenho um livro escrito com o nome "Arrábida, Serra, Mar e Vento" e
fui convidada, em Setúbal:
Vou dizer Poesia. Eu sei dizer!

Depois, com mais tempo, ele merece , vou encontrar-me com" António ".

Beijos,

Maria Luísa


De poetaporkedeusker a 25 de Outubro de 2008 às 14:31
Olá Maria Luísa. Estou de corrida, já everia ter saído. Depois verei a tua resposta. Fico feliz por dizeres que sabes "dizer". Eu penso que também sei. Comecei a dizer muito, muito cedo, deveria ter os meus tr~es anitos. Disse apaixonadamente com a Natália Correia e com o António de Sousa. Disse a sorrir com o Nemésio... digo, muitas vezes, agora sozinha. É tão bom dizer! mesmo quando se tem um pivot de um incisivo superior colado com Corega e que está sempre a cair, o que é o meu caso. Já "calei" por causa disso, mas não penso calar-me mais. Se cair, caiu. Paciência. Até dá para rir e rir faz muito bem...
Um grande abraço e muito obrigada por leres António de Sousa, um Homem que viveu para "Perfeitamente naufragar".


De M.Luísa Adães a 25 de Outubro de 2008 às 14:52
Rir é muito bom! Eu ri-me com vontade com essa do
pivot que está sempre a caír!" E quando caír, caíu"...

Montes de graça! Tenho de saber a razão pela qual António viveu para "Perfeitamente naufragar".

Uma boa-tarde. Maria Luísa


De poetaporkedeusker a 25 de Outubro de 2008 às 23:14
António de Sousa era, na minha opinião, um Homem inconformado com as suas humanas limitações. A morte da minha avó a 29 de dezembro de 1963 foi a gota de água que fez transbordar o cálice da sua amargura. Morreram-lhe demasiados amigos e familiares queridos (ele não fazia grande distinção entre uns e outros, os amigos eram sempre "os seus irmãos"). Quando escreveu "O Náufrago Perfeito", tinha apenas 45 anos de idade e já pressentia o naufrágio da sua vida, como se fosse um ancião. depois da morte da minha avó, teve múltiplos AVCs e acabou por entrar em depressão profunda. Nunca mais escreveu um único livro, deixou de traduzir, abandonou as suas actividades enquanto Secretário geral da Associação Cristã da Mocidade e deixou de exercer advocacia. Encarnou, assim, o "Náufrago Perfeito" que ele mesmo concebera.
Um abraço grande.


De M.Luísa Adães a 26 de Outubro de 2008 às 09:22
PoetaporqueDeusquer

Parece-me que António de Sousa pressentiu o seu "Naufrágio" e tentou dar-lhe "Perfeição": Foi infeliz na sua vida, por não ter ultrapassado a morte da "mulher" e eu, entendo-o ...

A Verdade não tem tempo no Espaço Cósmico
- nem passado, nem presente, nem futuro -
Viveu sempre e continua a viver
nos mundos Siderais, onde o nosso Planeta vive ...
Mas não vive na Terra - Ainda não vive ...
A Verdade vem do Alto e regressa ao Alto ...Sempre!

Um poeta é livre ...
É livre dentro do seu coração
E nesse lugar tem o seu mundo ...
... Ele sabe que nada lhe pertence

deveria ser aceite por todas as filosofias,
todas as crenças, todas as raças ...
O poeta é livre na sua forma de viver
... Apenas pertence a Deus ...

Nunca aos Homens!

Maria Luísa


De poetaporkedeusker a 26 de Outubro de 2008 às 12:51
Sabes, Maria Luísa, eu penso que ele sabia tudo isso e por isso preparou o seu Perfeito Naufágio... mas também preparou a sua "Ilha Deserta" onde continua, por tempo indefinido, "em molho de luar". Tudo isto irás encontrando ao longo da sua obra. A mensagem está toda lá, para quem o saiba entender. O caminho que ele vai apontando com a sua "bússola de sonhos".
Abraço.


De M.Luísa Adães a 26 de Outubro de 2008 às 14:10
poetaporqueDeusquer

Não sei se na sua "Ilha Deserta" ele continua, por tempo indefinido "em banho de luar"...
Penso que ele subiu a um lugar onde encontrou os sonhos que sonhou em noites de luar, mas não está
imóvel - num "banho de luar". Não está! Acredites ou não, esquece o teu sentir, por instantes, a tua forma de pensar e repara ... "Ele subiu bem Alto" - é um Poeta Maior!
E está, "No Seu Lugar!... Finalmente, ele encontrou o
Lugar! Não o lamentes; se tens de chorar, chora pelo
mundo que não sabe entender!

Maria luísa


De poetaporkedeusker a 26 de Outubro de 2008 às 14:36
Ah, mas eu não lamento, Maria Luísa! Não o lamento mesmo nada. Limitei-me a ser descritiva em relação à sua passagem por aqui. Essa "Ilha Deserta" é mesmo a sua metáfora para o que tu dizes. E não há nela verdadeiro estatismo ou solidão. Tudo isso é uma metáfora daquelas com que ele adornava os seus poemas. E também não devo chorar pelo mundo. Devo é trabalhar no sentido de conseguir que as suas palavras possam ser entendidas.
Abraço grande.


De M.Luísa Adães a 26 de Outubro de 2008 às 17:34
poetaporqueDeusquer

Falei num sentido mais espiritual. minha amiga, não o lamentei, mas o elevei. Se não chorares pelo mundo, choro eu! Não o mundo da "Ilha Deserta" que não conheço, mas o outro que conheço.
Eu choro! E depois deixo de chorar, seco as lágrimas e luto contigo, para que tudo seja entendido. Assim, eu o possa entender!
Beijo,

Maria Luísa


De poetaporkedeusker a 27 de Outubro de 2008 às 00:17
Entendo, Maria luísa. Mas, mesmo num sentido espiritual, eu prefiro não chorar pelo mundo. Prefiro rezar, à minha maneira, pelo mundo e ir fazendo o que posso pelas criaturinhas que o habitam. Às vezes quero fazer mais do que posso, sabes... fico triste porque me esqueço das minhas limitações físicas, mas não posso parar para chorar. Chorei tanto, tanto, durante tantos anos... chorava porque ainda não entendia bem porque me aconteciam tantas coisas tristes, a mim e aos meus. Houve uma altura em que me senti culpada de tudo e mais alguma coisa... e afinal estava era muito perdida, a sufocar em mim tudo o que eu deveria ser, por muito pouco que fosse. Não era importante (nem é...) ser rica, ser grande, ser famosa... não, Só necessitava de ser "eu", de não continuar a viver apenas em função dos padrões sociais que os outros me impunham. Passei fome, trabalhei duramente em tudo e mais alguma coisa, sempre com os meus cães e dois dos meus gatos, sempre a ter de os sustentar e a aprender com eles. Aprendi tanto... aprendi a não chorar, a não me sentir eternamente culpada, a entender aquelas mesmas coisas que entendia quando era criança e que os anos e os outros me haviam feito remeter para um espaço fechado da minha memória. Aprendi que o mais importante é mesmo aprender. Olha, se tiveres um momentinho livre, vai a http://mariajoaobritodesousa.synthasite.com/ , entra na galeria e vê o que uma amiga fez para os meus quadros. Está tão linda a galeria, não está.
Um dia em que esteja com o antivírus a funcionar e que tenha um bocadinho mais de tempo, conto-te como e quando retomei a pintura que tinha abandonado na adolescência.
um grande abraço.


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