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.MJoão Sousa

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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
REFLUXO

Esta vaga magia de ser triste

é o azeite que ponho na candeia,

o fermento do pão da minha ceia,

meu sorriso que dói mas não desiste.

 

Tantos me julgam fáci na alegria

e eu, de mim, sou a noite de um segredo!

O meu amor é a tremer de medo

desse Amor que, decerto, me sabia.

 

Amo a graça longínqua das estrelas,

o fluido fantasmático da bruma

e o longo adeus marítimo das velas.

 

Onda que ao largo se perdeu da praia,

vou-me disperso em lágrimas, espuma,

e talvez neste enrêdo vos distraia...

 

 

In - "Linha de Terra", Editorial Inquérito, 1951

 

Desenho de Manuel Ribeiro de Pavia

 

NOTA - Este é o meu preferido, de todos os sonetos de           

             António de Sousa e também o que melhor o de-

              fine, na minha opinião.

 

 

 


sinto-me:

publicado por poetaporkedeusker às 23:56
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10 comentários:
De linhaseletras a 14 de Novembro de 2008 às 00:56
Também gostei deste soneto, dos que já li este parece-me o que se parece mais com a sua escrita, a maneira como descreve o dia a dia com os problemas e com algumas alegrias também
Boa Noite agora vou deitar-me que já são horas


De poetaporkedeusker a 14 de Novembro de 2008 às 01:21
Hoje ando um bocadinho desencontrada! "Apanho-a" sempre fora de horas... já deve estar deitada, mas digo-lhe que adoro este soneto! Pode ser que nem todos o vejam assim, mas eu cresci junto dele e vejo nele António de Sousa, por inteiro. Não há aqui truques ou fingimentos. É ele, tal qual o conheci.
Um grande abraço e obrigada pela visita.


De Peter a 14 de Novembro de 2008 às 01:21
sem dúvida poetisa, é um belissimo soneto.
com um grande ciao e muita inspiração, coisa que não falta, eu bem vejo. Baci.


De poetaporkedeusker a 14 de Novembro de 2008 às 01:24
E nós, Peter, andamos encontradíssimos! Publicámos comentários em simultâneo e tudo!
Obrigada pela visita. Este sempre foi o meu poema favorito, em toda a obra do meu avô.
Baci.


De Peter a 14 de Novembro de 2008 às 23:07
Voltei para reler este poema que vale a pena revisitar de vez em quando como quem vai a um templo para refletir e meditar...belo, sensa dúbio !!!! Baci poetisa, grande poetisa...


De poetaporkedeusker a 14 de Novembro de 2008 às 23:44
Peter, este poema é do meu avô. Ele é que é o grande poeta, eu sou só uma principiantezinha ao pé dele! Claro que criatividade não me falta, mas falta-me ainda passar o crivo dos 100 anos... e ele já o passou. Este é o blog que dedico à obra dele, embora já lá tenha ido parar um poema meu, por lapso. Se calhar deveria tê-lo retirado, mas eu sou daquelas essoas que gostam de aprender com os erros e recordar que erraram... feitios...
Baci.


De cateespero a 16 de Novembro de 2008 às 14:56
Namastê (curvo-me perante ti), onde quer que estejas! António


De poetaporkedeusker a 16 de Novembro de 2008 às 15:03
Namastê, António!


De Fisga a 16 de Novembro de 2008 às 19:19
Olá Amiga João. Este é o meu preferido, dizes tu. Olha amiga eu não tenho e nem nunca terei preferidos, porque estou sempre a conhecer mais um poema novo, mas a verdade é que de facto é um poema muito belo e com uma mensagem muito forte, uma discrição muito bem delineada e de uma clareza muito grande adorei e adicionei. Parabéns. Um abraço de boa noite. P. S. estou muito atrasado nos comentários, mas eu parece que de há uns dias a esta parte em vez de melhorar, estou a piorar, cada vez demoro mais tempo para fazer a mesma coisa. Abraço. Eduardo.


De poetaporkedeusker a 16 de Novembro de 2008 às 20:47
Não desanimes Eduardo. São fases. Eu também as tenho... volta e meia ando uns dias a "andar para trás", parece que não consigo fazer nada de jeito... mas depois passa. Vem uma fase mais produtiva, em que nos sentimos menos cansados e voltamos a ser meninos.
Abraço grande.


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