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.MJoão Sousa

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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008
A VELHA SALA

A velha sala sonolenta

cheira a bordado, a missanga,

a flores mortas, a tristeza, a pó.

Cheira a silêncio inútil

e a amareladas pontas de cigarros

só fumados até meio.

 

A traça roi, nas estantes,

livros que já ninguém lê,

livros que ninguém leu até ao fim.

Do piano, se o tocassem,

a música saíria com bolor!

 

Da velha sala sonolenta

vem qualquer coisa que dá pena

e vontade de fugir!

 

Oh, a minha alma cheia de saudades!

 

In "Ilha Deserta" (2ª edição), Lisboa, 1954

 

Imagem retirada da internet - V. Van Gogh


sinto-me:

publicado por poetaporkedeusker às 22:45
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10 comentários:
De Fisga a 20 de Novembro de 2008 às 19:06
Olá Amiga Maria João. Uma nova faceta, que me surpreende. Prosa Poética? Não sei se é este o nome, mas sei que até hoje tudo o que li vindo António de Sousa, me deu um grande prazer ler. Obrigado Maria João. Um abraço e tudo de bom,. Eduardo. (Para o António.)

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De poetaporkedeusker a 20 de Novembro de 2008 às 21:30
Obrigada pelas imagens e pelo comentário, Eduardo. Ele sempre lhes chamou "poemas", mas, segundo todos os cânones literários, parece que é mesmo prosa poética ... e no entanto, a Natália seleccionou-o como poema. Eu prefieria chamar-lhe "outro poema, sem rima", mas, para ser muito rigorosa, terei de dizer "prosa poética"...
Também eu tenho alguns destes "poemas sem rima", mas não sei onde andam... qualquer dia encontro-os e publico um.
Abraço grande.


De Fisga a 21 de Novembro de 2008 às 16:52
Olá amiga João. Eu lembrei-me de dizer prosa poética, na exacta medida em que tem uma componente poética mas só por acaso é que rima, não foi pelos meus conhecimentos, em todo o caso quero dizer-te que tenho muito respeito pela Natália Correia, a pesar que para eu ter respeito por alguém não é preciso ser poeta mas que ajuda muito lá isso ajuda. Olha amiga uma muito boa noite de descanso e bom sono. Eduardo.

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De poetaporkedeusker a 21 de Novembro de 2008 às 21:39
Eduardo, aqui não se trata de saber ou não... eu também estou como "o tolo no meio da ponte"... o meu avô e a Natália chamavam-lhes poemas, na altura, por isso eu me habituei a chamar-lhes isso. Com rigor, isto será prosa-poética, mas eu não gosto tanto de lhe chamar assim.
Obrigada pelas tuas palavras e pelo postal. Esta tartaruguinha é muito amigável!


De Fisga a 22 de Novembro de 2008 às 18:19
Olha Amiga: Eu quando vejo uma coisa de que gosto. Não pergunto a ninguém como se chama, fico feliz porque gostei e pronto. Alem disso, há uma coisa que se vê sem perguntar nada, é que é prosa, mas a roçar fortemente a poesia, o que para mim lhes dá um sabor muito especial. Abraço . Eduardo..


De poetaporkedeusker a 22 de Novembro de 2008 às 21:33
Olha, ´isso mesmo, Eduardo! Gostei dessa tua definição!
Abraço grande.


De Fisga a 23 de Novembro de 2008 às 17:50
! Á Tu pensavas que eu não era idiota? Mas sou e daqueles de primeira linha. Abraço e boa noite. Eduardo.


De poetaporkedeusker a 23 de Novembro de 2008 às 18:01
Olha que eu não te fico atrás...
Abraço. Estou com o Spirit ao colo. Se resolveres levá-lo para a Fifi, garanto-te que ela fica bem servida em termos de robustez e agilidade da descendência...
o rapaz é imparável!


De Peter a 20 de Novembro de 2008 às 23:16
belo quadro de van gogh na sua casa de arles... há um livro excelente, a Casa Amarela, que conta esta época do pintor....
a poesia vem a propósito com distinção. Ciao.baci.


De poetaporkedeusker a 21 de Novembro de 2008 às 01:17
A última biografia que li, sobre Vincente Van Gogh é de Irving Stone e também relata muito detalhadamente o empenho que ele revelou na "reconstrução" daquela casa, enquanto aguardava a chegada de Gauguin. A descrição de Pigeon (Raquel, a menina-prostituta que o levou a cortar uma orelha) inspirou-me uma tela Naif.
Mas há um episódio que me arrepia pela sua brutalidade. É quando, internado no hospício, ele ouve, "por acaso", o seu médico e amigo a falar do seu trabalho como se se tratasse do trabalho de um louco desprovido de todo o talento. Parece-me brutal a desilusão, a dor que aquele homem sentiu. E não me parece nada que esse episódio seja ficcionado. Ele pura e simplesmente destava-se dos clássicos académicos e isso, ainda hoje, em certos meios, é suficiente para condenar a obra de um artista vivo.
Baci, Peter.


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