Amigos! Eis aqui o dos olhos de mel! O Poeta!
.MJoão Sousa

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Terça-feira, 28 de Julho de 2009
ENCRUZILHADA II

32-Porto 1944.jpg

 

                                           2

 

AO PORTO

 

Ó meu severo berço de granito!

(Este lembrar-me é um luar do fim?)

Vi os fiords - não valem o teu rio!

O melhor da tua força manda em mim.

 

A tua fala é um gume leal.

Avulso, o teu sabor independente,

Amigo ou inimigo - uma só fé!

Quando a névoa te cobre - um rosto ausente.

 

 

António de Sousa

 

In "Linha de Terra", Lisboa, 1951

 

Imagem retirada da internet


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Quarta-feira, 22 de Julho de 2009
ENCRUZILHADA

A furia do mar - Ilha Terceira, Acores.jpg

 

                                                 1

 

À ILHA TERCEIRA

 

 

Ilha de bruma atlântica, varada

entre dois continentes. Nau do Céu

com teu lastro de sonhos portugueses!

Pastores-marujos, poetas como eu!

 

Terra de minha alma, que não vi

mas que trago no sangue. Mar salgado

dos meus Avós, humildes-e-fidalgos,

e de meu pai: um santo desesperado!

 

 

 

In "Linha de Terra", Lisboa, 1951

 

 

Fotografia de Marco Valadão     (retirada da internet)

 


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Terça-feira, 21 de Julho de 2009
VESPERAL

 

 

A primeira estrela era de sete cores.

Era de sete cores,

eu vi-a

quando ainda não estava em nosso pai Adão

e, entre nuvens grávidas e mestras,

no Princípio da Coisa,

esperava a minha hora de homem.

 

A primeira estrela era de sete cores.

Como será a última?

E ainda haverá olhos para a verem?

(os meus, sei que nem mesmo a terra saberá

que os digeriu à "n" milhões de anos...)

Vós, meus irmãos futuros,

inda andareis por cá?

 

Inda tereis de ver só como eu vejo,

ou uma qualquer máquina de olhar,

de olhar até aos átomos, sem dó,

terá substituído estes bugalhos

encravados na caveira?

 

(Quantos, de entre os filósofos e os tolos,

se gastaram moendo estas perguntas gastas?

E eu que, de vez em quando, sou poeta,

por isso meio-filósofo-mais-tolo,

bem quisera por deus,

quieto, a acontecer,

a fugir e a durar!

Ego sum qui sum,

ad eternum, 

etc.

 

O senhor me perdoe, se puder,

esta filáucia a que me rio

mais de mim que da vida!)

 

A primeira estrela era de sete cores.

Eu vi-a - juro-o! - ,

mas agora só quero dormir,

sonhar comigo.

- Boa noite! Boa noite!

 

 

In "Linha de Terra", Lisboa, 1951

 


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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
DOBRA

 

Como perdido vou, ao luar da vida

(minha glória é librar

uma canção perdida),

este dúbio demónio que me lura,

cobre de cinza impura

quanto eu possa cantar.

 

Viajo de olhos fraternos o Planeta

e a beleza me fere,

no mais fundo do peito, a carne viva

dessa corda secreta

onde, se Deus disser,

pela graça de amar todo o homem é poeta.

 

Mas, dura, me soverte de cuidados

a voz que O Tal me vela à sua cor.

Meus versos são pecados,

sejam eles de amor!

 

(A alma cativa,

a bem ou a mal,

não pode ser leal

ao seu melhor.)

 

 

 

In "Linha de Terra", Lisboa, 1951


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Terça-feira, 14 de Julho de 2009
EX VOTO

Da fundura das sombras.

Hei-de sentir-me inquieto ao pé delas,

Mas onde não estou eu inquieto?

E não se ama a tremer?

 

Preciso de árvores

Como de irmãos – que uma árvore sou,

Vegetal na raiz.

 

Ó deuses das florestas e das matas

E das árvores sós!

Meu coração, vegetal na raiz,

Quem melhor do que vós

O pudera entender?

 

Meu coração, vegetal na raiz.

 

- Vá, bicho cego, rói!

Antes que chegue o Inverno

Em que teremos ambos de morrer!

 

 

In "Linha de Terra", Lisboa, 1951

 

 


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