Amigos! Eis aqui o dos olhos de mel! O Poeta!
.MJoão Sousa

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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
MALOGRO

Quando a hora passou dei-lhe um tiro no peito.

(de raiva ou de ciúme?)

O sangue não correu. Era de lume

e opaco, ao mesmo tempo, aquele peito.

 

A hora que passou

e me passou,

morta-viva em meus braços - que delícia!

O nosso mundo e nós dois!

 

Depois...

desceu do Céu a polícia.

 

 

In "Linha de Terra", Lisboa, 1951

 

Imagem retirada da internet


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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
EU, PECADOR...

Corda que só ressoa

aos meus dias dispersos,

minha poesia

- se é poesia ir a dizer-me em versos... -

não pode ser gratuita.

Há entre mim e a vida

em que a procuro e me procuro

este medo da morte que me coa.

 

Sou a tarde cansada

entre a manhã perdida

e a noite prometida

e prorrogada:

tropeço-me na voz

da ronda dos avós

que me passa no sangue, devagar.

 

E da penumbra vaga

(vivo? não vivo?)

em que a minh`alma paga

ao deus... que não abre as portas,

espreito-me a tremer

- o poeta em mim é um preso fugitivo -

pé ante pé, horas mortas.

 

ai, não saber o que sei

e perder-me do que dei

para melhor desdobrar

do meu Astro Velado

esse verbo final que é Ser-e-Estar!

(meus versos são meus passos de mendigo

e meu sonhar-acordado

dessa esperança de paz que me doei.)

 

Amigos

que viveis na alegria!

Inquieta e fortuita,

minha poesia

não pode ser gratuita.

 

 

In "Linha de Terra", Lisboa, 1951


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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
MOENDA

 

Lúcido, a frio,

amo os que amam e o amor,

mas de mim o que sei é o desafio

entre o que sou ao longe e a minha dor.

 

Diga o que diga - sempre as mesmas brasas,

o mesmo fogo pobre neste lar,

as mesmas sombras nestas velhas casas

e o musgo do luar.

 

Só em sonho é que vejo A que me quer

e peço-lhe perdão

de nunca me render.

Curva de medo,

a minha vida é um não

da que eu trago em segredo.

 

Diga o que diga - sempre as mesmas brasas,

o mesmo fogo pobre neste lar,

as mesmas sombras nestas velhas casas

e o musgo do luar.

 

Poeta, eu?

Poetas são esses cantores do Céu!

 

 

In "Linha de Terra", Lisboa, 1951

 

Imagem retirada da internet


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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
ENCRUZILHADA IV

                                           4

 

A LISBOA

 

De mal te conhecer é que eu sofria,

Cidade clara em tuas sete colinas!

(Meu caminho de sombras não subia,

só baixava entre fossos e ravinas.)

 

O bem que me fizeste! (meu resgate

foi acolher-me aos teus braços abertos.)

Que ao teu calor a vida se dilate,

Grávida e virgem, nestes dias certos!

 

 

In "Linha de Terra", Lisboa, 1951


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Terça-feira, 4 de Agosto de 2009
ENCRUZILHADA III

                                                                       3

A COIMBRA

 

Longe da vida, entregas-te num beijo.

Ainda sonhas, pálida donzela

De algum conto de fadas sem desfecho.

Vogas no tempo como um barco à vela.

 

És triste e dás perdão aos que são tristes,

Segunda mãe dos meus dias parados

Em saudade - os olhos razos de água.

Amor dos meus pecados!

 

 

In "Linha de Terra", Lisboa, 1951.


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