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Domingo, 1 de Março de 2009
BOLAS DE SABÃO

Frágeis,

os meus minutos são

como bolas de sabão

coloridas e ágeis!

 

Quem as faz,

não sei porquê, afinal,

- se por meu bem ou meu mal -

é o mesmo que as desfaz...

 

Quedo-me a vê-las,

enquanto o vento balança

com espantos de criança;

choro, às vezes, de perdê-las!...

 

Que lindas cores! Quem há-de

não ter inveja de ser

êsse que as sabe fazer

em verdadeira verdade!?

 

Bolas de espuma

tal e qual como os mundos!

Duram, em vez de séculos, segundos,

mas a massa é tôda uma...

 

Esta, coitada!

tocou-lhe o Amor com o dedo,

morreu de mêdo

ou envergonhada.

 

Essa desfez-se ao pêso

dum chôro que não chorei...

Aquela é o reino do rei

do meu orgulho e desprêzo...

 

Leves e dobram-me os ossos

marcam-me a carne, destroem

certezas que se constroem

de rezas e padre-nossos!

 

Vejo-as sumir-se, nem sei

para onde ou para quê.

-É certo o que a gente vê?

Foram-se elas e eu fiquei?...

 

 

 

In "Caminhos", 1933

 

Imagem retirada da internet


sinto-me:

publicado por poetaporkedeusker às 13:07
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10 comentários:
De Pedro Tortuga a 2 de Março de 2009 às 02:43
"-É certo o que a gente vê?

Foram-se elas e eu fiquei?..."

Ficou o que, sendo tangível, é demasiado para as húmidas translúcidas membranas que, desagregando-se num salpico d'água e ar, deixam perder pelo firmamento o que era e foi. Belo ou atroz, beijo ou lágrima; agora intenso, amanhã desvanecido e quiçá intenso de novo.
Bolas de sabão; castelos de cartas - constrói-se, perde-se, reúne-se revive-se...e mesmo isso é levado, calma e silenciosamente numa brisa obstinada e imparável: que vai e vem, dá e tira, roda e vira - o carrossel de voltas ilimitadas que não pára para ceder lugares mas muda intervenientes; a página que se volta enquanto não se revela a contra-capa e tornámo-nos somente o que fomos.


De poetaporkedeusker a 2 de Março de 2009 às 17:55
Obrigada pela sua visita ao antoniodesousa, Pedro.
Difícil será descrever-me neste preciso momento em que me sinto vazia. Morreu-me uma amiga esta madrugada.
Abraço.


De Fisga a 2 de Março de 2009 às 14:41
OLÁ AMIGA JOÃO. Mais um belo poema daquele que te deu o ser, aposto em como tens pena, que ele não esteja cá pra ver. Adorei, e adicionei aos meus favoritos. Um grande abraço Eduardo. P. S. espero que o teu suplicio já tenha terminado.


De poetaporkedeusker a 2 de Março de 2009 às 17:57
O nosso suplicio terminou às 5.30h da madrugada, amigo. Ainda estou muito ferida, muito em carne viva.
Abraço grande.


De Fisga a 3 de Março de 2009 às 12:40
Ó amiguinha, como eu gostava de te poder ser útil, mas sei que é uma coisa só tua e tu é que tens que fazer esse luto. Olha amiga chora sem medo ou vergonha, se chorares alivias a tua dor e eu sei o que isso custo, não sei se já te contei. Quando o meu sipo teve que ser abatido, eu tive que fazer parte da equipa de carrascos, ou seja, tive que o segurar para a veterinária lhe dar a injecção de misericórdia. Eu assim que o coração dele deixou de bater na minha mão, saí pela porta fora e fui para o carro chorar durante mais de meia hora, não tenho vergonha de te dizer que chorei lágrimas de sangue, e só depois voltei ao consultório para pagar. Por isso sei dar-te o valor assim como sou dar o valor à amiga Luísa quando ela passou pelo mesmo. Um abraço Eduardo.


De poetaporkedeusker a 3 de Março de 2009 às 13:20
Acredita, amigo, que ainda saí à procura de uma farmácia de serviço para comprar injectáveis que lhe pudessem aliviar a dor. Sei que ela teve dores nas últimas horas e isso doeu-me horrores. Não havia farmácias de serviço perto de minha casa e eu não podia dei~´a-la sozinha naquele momento. Nem quero pensar agora nisso.
abraço grande.


De Posh a 7 de Março de 2009 às 18:17
por momentos foi como se estivess a ler florbela, alguns versos tem semelhança, mas mt bem, está mt bem feito =)


De poetaporkedeusker a 7 de Março de 2009 às 22:54
Boa noite, Posh. Não é Florbela, é António de Sousa e são simples redondilhas. Também as acho muito bonitas. Obrigada e seja bem vindo.
Abraço.


De cateespero a 8 de Março de 2009 às 12:39
M. João
Cá estou na minha visita domingueira. Seu avô tem uma extraordinária obra poética, pena que não haja quem faça a reedição de sua obra. Fique bem e tenha um bom Domingo. Abraço. António


De poetaporkedeusker a 8 de Março de 2009 às 13:45
Tenho estado no "Caminhos", amigo, mas em breve voltarei às outras obras, se a net me deixar.
Abraço grande e muito obrigada.


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