Amigos! Eis aqui o dos olhos de mel! O Poeta!
.MJoão Sousa

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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010
GRANDE MERGULHO

 

No fundo do mar,

no fundo, no fundo

dum mar que não é

nem do céu

nem do mundo,

nas velhas areias

entre algas em feixes,

conchinhas, moluscos,

luzentes escamas

de meigas sereias

e rápidas flamas

do arco-íris dos peixes,

a chave lá está.

 

Quem desce a buscá-la?

Cem anos, mil anos,

mil anos e um dia,

alguém que tecia

a mística rede

com sonhos humanos,

naufrágios e sede,

martírios e crimes,

geométricos gritos

e poemas sublimes,

bordões de viola

e nós de infinitos,

num pronto apanhou-a!

 

Se chega cá acima;

ao Cabo ou ao Polo,

ao Havre ou ao Goa

ou mesmo a Lisboa!...

 

Mas, longa, a subida,

mais longa, demora

a conta sabida:

A hora por hora

é sempre uma vida.

 

 

In "Sete Luas", Lisboa, 1954

 

Imagem retirada da internet

 

 

 


sinto-me:

publicado por poetaporkedeusker às 14:07
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4 comentários:
De Fisga a 20 de Fevereiro de 2010 às 15:58
Olá miga. Maria João. É admirável, a inesgotável fonte de poesia, que o teu ente querido, deixou como espólio, quando da sua partida. e tu como, sua sucessora, tão bem tens sabido conservar e divulgar. parabéns por isso. Um grande abraço. Deste amigo Eduardo. P. S. adicionei, aos meus favoritos.


De poetaporkedeusker a 22 de Fevereiro de 2010 às 10:41
Obrigada amigo Eduardo! Que pena foi ele ter deixado de escrever ainda tão novo... bem, novo para escritor.
Depois da morte da minha avó teve o primeiro acidente vascular cerebral - foi o primeiro de uma série deles - e embora se tivesse mantido lúcido, entrou numa desistência total. Desistiu com pouco mais de sessenta anos.
Um grande abraço!


De Peter a 28 de Fevereiro de 2010 às 22:43
Oi poetisa, mais um belo poema ancestral, não é ?????
Já cá estou , mas não muito inspirado....
bacini


De poetaporkedeusker a 1 de Março de 2010 às 11:11
Ancestral e intemporal, Peter. É curioso... eu também estive em crise produtiva durante todo o fim de semana. Provavelmente, no meu caso, é porque estou com uma sinusite aguda que me obriga a tomar analgésicos, de tal forma tem doído. Não sei... só sei que não escrevi nem um décimo do que costumo escrever durante o fim de semana e tenho perfeita consciência de que os sonetos de hoje não são nada bons... vou publicá-los apenas para fazer jus à tag de "um soneto por dia".
Bacini!


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