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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
POETA

Sinto-me, às vezes, muito mais perfeito

E fujo de mim mesmo, alucinado!

As coisas balbuciantes no meu peito

Tomam gestos à luz de um Sol doirado.

 

Eu, que sou tôsco, inhabil, imperfeito,

Tenho uma fé de grande iluminado

E julgo, assim, que sou mais um eleito

Pra crear com amôr não sendo amado!

 

Vim ao Mundo na hora mysteriosa

Em que o Mundo comunga a luminosa

Dôr duma Cruz que o crava, lado a lado:

 

 

E os meus olhos, que vinham para vêr,

Alongados pra longe do meu Sêr,

Deixaram-me, ante Deus, ajoelhado!...

 

 

In - "O Encantado", Tipografia da Renascença Portuguesa,

       Porto, 1919

       Ilustrações de Eduardo Malta


sinto-me: poeta e encantada

publicado por poetaporkedeusker às 11:14
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6 comentários:
De Fisga a 28 de Agosto de 2008 às 16:41

OI amiga Maria João: é tão bonita a forma como amas, e exaltas o teu ente querido. Ele te está com certeza muito grato, e muito orgulhoso da filha que tem. (QUEM TEM FILHOS TEM CADILHOS, TEM-NOS QUEM OS NÃO TIVER. QUEM TEM FILHOS AINDA VIVE, MESMO DEPOIS DE MORRER.) Um beijinho para ti amiga. Eduardo.


De poetaporkedeusker a 28 de Agosto de 2008 às 23:22
Fico contente por sentires isso, amigo Eduardo! Este homem era um coração de ouro! Tinha o seu mau feitio, de vez em quando, mas defendia as causas dos que nem dinheiro tinham para lhe pagar.
Um abraço!


De Fisga a 29 de Agosto de 2008 às 15:57
Olá amiga Maria João. Eu por princípio digo aquilo que acredito ser correto. Quanto ao mau ou menos bom feitio, há um velho ditado que diz: Quem não se sente, não é filho de boa gente. E todos nós sabemos que o homem perfeito ainda está para nascer. Um abraço e bom fim-de-semana. Eduardo.


De poetaporkedeusker a 29 de Agosto de 2008 às 23:15
Mas o meu avô só tinha 19 anos quando publicou este livro, "O Encantado". Ainda tinha a vida toda pela frente e muitos, muitos sonhos!
Abraço!


De Fisga a 2 de Setembro de 2008 às 12:03
Olá amiga João. Essa é a prova bem viva de que a veia poética já tinha feito a sua apresentação e manifestado a vontade de mostrar até onde era capaz de ir. Um abraço. Eduardo.


De poetaporkedeusker a 2 de Setembro de 2008 às 14:39
Tens razão, amigo Eduardo. Este homem já nasceu poeta!
Um abraço!


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