Amigos! Eis aqui o dos olhos de mel! O Poeta!
.MJoão Sousa

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Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
CANTATA DO MAU MARINHEIRO

Em Calicut, uma vez,

o grande Vasco da Gama

pôs-me a ferros no porão.

Não por pena de traição

mas por eu passar na cama

trinta dias, cada mês.

.

Se retroava a bombarda

para acossar a moirisma

- a cambulhada casmurra -

eu dedilhava a bandurra,

recatando a minha cisma

ao anjo da minha guarda.

.

Quando o Santelmo chispava,

nos tops de popa a proa,

agoiros de calmaria,

eu ao bailique pedia

o caminho de Lisboa

e o corpo da minha escrava.

.

quando a água escasseou,

a bolacha criou bicho

e o vinho já ia azedo,

eu nunca tremi de medo:

fiquei-me em santo de nicho

que a si mesmo se salvou.

.

mas se o mar fazia espuma,

o vento cuspia pragas

e a nau parecia um trambolho,

já, do sono, abria um olho,

piscava-o de manso às vagas

- Que, enfim, a vida é só uma!

.

(Sei que a morte me não quer

enquanto andar embarcado,

só pecando em pensamento.

Porém sou primo do vento

e no seu corpo salgado

o mar é minha mulher...)

.

Não fui herói como os mais,

mas o almirante do rei

acabou por perdoar.

É que eu tinha de ficar

só nos trabalhos que sei

p`ra lhe dar estes sinais!

.

(A nau voltou a Belém

e eu, felizmente, estou bem!)

.

In: JANGADA -

1946, Coimbra Editora


sinto-me: perdoada...

publicado por poetaporkedeusker às 20:35
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008
ERRATA

Que mundo este, sufocado!

E quer matar o que há-de vir!...

.

Em qual dos dois serei pecado?

A qual dos dois vou disfarçado?

De qual dos dois estou cansado?

.

- Mãe, custa tanto rir!

.

In - JANGADA, 1944

Coimbra Editora


sinto-me: no fio da navalha...

publicado por poetaporkedeusker às 16:27
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008
AUTO-DE-FÉ

Era a vaga dos sentidos

correndo as margens do Espaço

e a caber no meu abraço

sobre os teus ombros vencidos!

.

Era outra vez o Jardim

- céu macio de luar -

antes de a Cobra falar

com princípio, meio e fim.

-

Era um morrer de veludo

pelo voo dos teus dedos

ao meu corpo sem segredos;

a hóstia da tua boca

e a fome na minha, rouca...

.

Veio a alma... queimou tudo!

.

In - JANGADA , 1ª edição

Coimbra Editora - 1946


sinto-me: ...intemporal, a simbologia...

publicado por poetaporkedeusker às 17:23
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