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.MJoão Sousa

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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008
A NOVA MORTE DE O ENCANTADO

Era a noite de toda a gente,

púlpito de anjos e de espectros

para ele e esses dois metros

do seu catre... um Oriente!

 

O toar da velha guitarra

dos nervos em que os avós

se lhe aguaram - a foz

onde os navios quebraram a amarra.

 

Os seus óculos banais

- um Olimpo a dois postigos

por onde uns deuses amigos

coavam versos imortais.

 

Suas mãos, com cinco dedos

como as que pegam nas enxadas,

eram asas embruxadas,

teares de líricos segredos.

 

A boca - chamas e crisol

da própria forja da beleza-

pregava ao mundo uma certeza

toda de caminhos de luar e sol.

 

Até os pés - prosaicos pés

nos sapatos quarenta e um-

eram-lhe para andar desertos em jejum

como os do povo santo de Moisés.

 

Enfim, senhores! Hoje seria

de todos o maior desde as origens,

se não tivesse a mania

de amar impuras e virgens.

 

 

In - "Sete Luas", 2º edição, Editorial Inquérito, 1954


sinto-me:

publicado por poetaporkedeusker às 15:52
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18 comentários:
De Fisga a 4 de Setembro de 2008 às 19:39
Olá Amiga João. Mais um lindo poema a honrar o nome, daquele que te deu o ser. Quem tem filhos vive sempre mesmo depois de morrer. Um grande abraço. Eduardo.


De poetaporkedeusker a 4 de Setembro de 2008 às 23:26
Obrigada pelas palavras, Eduardo. Sabes, hoje embrei-me de que, mais tarde ou mais cedo, vou começar a ter dificuldades em publicar os poemas que ainda não foram editados no blog, pois tenho andado a escolhê-los ao acaso. Um destes dias vou ter de elaborar uma lista do que já foi publicado. Eu e esta minha mania de fazer as coisas ao sabor do que me dita o coração... até gosto de ser assim, mas para uma obra relativamente vasta como a dele, deveria ter adoptado critérios de publicação.
Um grande abraço!


De Fisga a 5 de Setembro de 2008 às 17:26
Olá amiga João. Sabes que eu também sou assim, não tomo nota de nada, e depois quando quero saber o que fiz e não fiz, é que reparo que me perdi. Acontece. Sabes uma coisa amiga? Daqui a 100 anos já não nos enganamos, e nem ninguém os engana. Um abraço. Eduardo.


De poetaporkedeusker a 5 de Setembro de 2008 às 22:31
Ora disso podemos nós estar seguros, amigo Eduardo!
Agora fizeste-me rir com vontade!
Um grande abraço!


De Fisga a 7 de Setembro de 2008 às 16:35
Olá amiga João. Sabes tenho o costume de aplicar esta frase. Quando faço um favor a alguém ou dou uma ajuda mesmo braçal, eu nunca cobro nada, e depois as pessoas perguntam: Quanto é? Eu digo não é nada. Mas eu assim para a próxima tenho vergonha de incomodar. E eu respondo a rir-me: Disponha sempre, mas só nos próximos 100 anos depois já não aceito que me incomodem. É aquela rir de nós próprios, é mais salutar que rirmo-nos dos outros. Um abraço. Eduardo.


De poetaporkedeusker a 7 de Setembro de 2008 às 20:34
É muito mais salutar porque, como tu muito bem disseste, nós não levamos a mal! Eu às vezes também digo que agora não me dava jeito nenhum "ir desta para melhor" porque tenho muito que fazer na semana que vem... outras vezes são as minhas amigas do café que me dizem, quando me vêm mais cansada, : -
Veja lá, não morra hoje, porque eu ainda não comprei o vestido preto!
O que é certo é que acabamos todas a rir e o ambiente torna-se muito mais alegre.
Um abraço!


De Fisga a 8 de Setembro de 2008 às 21:02
Oi Amiga João. É como tu muito bem dizes amiga, É salutar nós divertirmo-nos com os nossos próprios revezes da vida. Um abraço.


De poetaporkedeusker a 8 de Setembro de 2008 às 23:35
Imagina tu a tristeza que seria se nos puséssemos todos a choramingar de cada vez que alguma coisa não vai bem...
Abraço!


De Fisga a 9 de Setembro de 2008 às 17:36
Olá amiga João. Choramingar isso nunca. Temos que respeitar o ditado. (três tesas não pagam dividas) Um abraço. Eduardo.


De poetaporkedeusker a 10 de Setembro de 2008 às 11:23
Essa tua nova versão do ditado está uma delícia! Fizeste-me rir com vontade porque me lembrei de mim e das minhas duas amigas!!! As três tesas! : ))))


De Fisga a 12 de Setembro de 2008 às 18:25
Olá amiga João. Isto das três tesas, é uma deturpação que eu fiz ao ditado, eu também gosto de brincar com as palavras. Por ex. Se o meu telefone toca e eu vejo que é uma pessoa minha amiga, eu Não digo, estou ou sim, ou estou sim. Digo Toucinho! E muitas outras assim parecidas. Eu era muito fértil de bom humor, e eu calculei logo que tu te ias rir. Xao um abraço.


De poetaporkedeusker a 13 de Setembro de 2008 às 11:17
Eu acho isso uma delícia! E adorei "as três tesas" que tu tão habilmente deturpaste!


De Fisga a 13 de Setembro de 2008 às 12:16
Não me agradeças amiga porque estas coisas fazem parte de um lote de coisas que eu adoro fazer, eu gosto de brincar com muitas coisas, Um ex. Eu nunca digo Chimpanzé: Eu digo Jaquimsé. Um termo que eu só emprego onde vejo que o posso fazer sem melindrar ninguém, e com o devido respeito por tudo e por todos porque o meu gosto pela brincadeira não inclui faltas de respeito, é um nome feminino que eu por sinal gosto bastante e que é Guilhermina, eu digo, Mulherminha. Mas não haja confusões: Eu não sou dos que pensam que alguma mulher é propriedade de alguém. Tenho muitos termos de minha simpatia, sou assim, desculpa-me Um abraço Eduardo.


De poetaporkedeusker a 13 de Setembro de 2008 às 12:24
Eu chamo-lhe a "linguagem dos afectos" e é muito saudável! Também gosto muito de a utilizar! Compreendo-te perfeitamente!


De Fisga a 13 de Setembro de 2008 às 15:41
Olá amiga Maria João. Eu não tenho qualquer dúvida de que não somos nada um ao outro por linha sanguínea, mas que somos muito semelhantes a começar pela raça que é raça humana, isso eu não tenho dúvidas, Na forma de ser, de estar, de pensar e de agir, defendemos valores muito próximos e orientamo-nos por princípios muito iguais, só por isso, temos por força da nossa própria natureza, que nos entender muito bem. Um abraço. Eduardo.


De poetaporkedeusker a 14 de Setembro de 2008 às 00:29
Um abraço também para ti, Eduardo. É uma honra para mim ter um amigo como tu.


De Fisga a 14 de Setembro de 2008 às 19:40
Olá amiga Poeta: Eu não sei se mereço esse elogio; Mas a verdade é que faço por isso, a minha consciência não me acusa de nada, mas há um ditado que diz: Cada um tem aquilo que merece, embora eu saiba que tu mereces muitas coisas que não tens, vamos acreditar que o ditado não é de todo falso. Um abraço minha amiga eu é que me sinto lisonjeado, só que não acuso o toque. Um grande abraço. Deste amigo Eduardo.


De poetaporkedeusker a 14 de Setembro de 2008 às 22:20
Um grande sorriso do sapo, porque a cx de correio até abriu bem! Agora!
Vou proceder a uma operação, no mínimo arrepiante, para quem, como eu, tem um enorme grau de incompetência informática. Vou trocar o IE pelo Opera (e eu nem sabia que isso existia!) para ver se consigo resolver este problema da cx de correio.
Como amanhã vou ao hospital e a seguir aproveito para ir tirar umas dúvidas em relação ao Rendimento de Inserção Social, não sei a que horas conseguirei postar.
Um abraço e até amanhã!


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