CONFISSÃO
Maria João Brito de Sousa
10.09.08
- Quem chama sonho a êste mêdo à vida?
- O que sabeis da luz, olhos fechados?
Ao que passa com passos renegados
Nem a morte perfeita é concedida!
Anjo? Demónio? Terra prometida?
Saudade duns deuses inventados?
Oh alma! Na balança dos pecados
O que importa, ao chegar, é a despedida!
Sai das portas do abismo um fumo lento:
Abre as veias de fogo o pensamento
(O céo nega e promete a madrugada...)
E o fôgo vai - ou vem? - à sua guerra!
Mas eu devoro em mim o céo e a terra:
Eu ou sou esta fome ou não sou nada!
Retirado de um recorte de jornal impossível de identificar. Pela ortografia penso poder afirmar tratar-se de um poema da juventude do poeta, provavelmente do início da segunda década do século XX.
