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AINDA SOBRE "O NÁUFRAGO PERFEITO" (por Deniz da Luz)


Maria João Brito de Sousa

14.10.08

Escreveu um bom crítico. "António de Sousa é um dos poetas portugueses mais originais na aliança da velha graça lírica com um humor moderno, rude e fino. Se todos os nossos poetas se confessam, êle é um dos poucos que, fazendo-o, contam com o juízo final. Joga o seu jôgo a descoberto, entre a responsabilidade e o destino."

António de Sousa, pintando-nos agora  alma de "O Náufrago Perfeito", revela-nos novas possibilidades e encantos de uma das mais veementes sensibilidades existentes na poesia portuguesa actual. As imagens mais belas do nosso lirismo, do lirismo tradicional, na arte do autor de "O Náufrago Perfeito", surgem com atitudes e desfechos imprevistos, com pronunciada tendência para um pitoresco simbólico.

Lêem-se com verdadeiro encanto alguns dos seus belos poemas como o "Salmo":

 

Senhor maioral

dos pastores da serra,

para a sua terra

subo do meu vale.

 

Senhor maioral!

Que nestes ares

a minha voz se mude!

 

Dê-me a estamenha rude

e a frauta de zagal.

 

Seja a minha alma em graça

e a voz das fontes

a voz dos meus segredos

e sejam meus irmãos estes penedos

e o meu amor a luz dos horizontes.

 

Que a minha vida

como o luar derive,

guardando o gado

aqui, por estas brenhas

e eu venha apascentar

entre montanhas

certo rebanho de ilusões que tive...

 

E assim por diante, António de Sousa, nalguns poemas seus, leves como as asas de versos com que voam, atinge, por vezes, o inefável mais luminoso e mais puro.

A originalidade está já nas suas mãos. Isto, em Poesia, é quási tudo.

Vibra, também, nos seus poemas, aquela saudade da meninice e aquele sentimento de meninice perene - em contraste com o mundo e a vida - freqüentes e comovidos nos nossos melhores poetas.

Nem tudo porém em "O Náufrago Perfeito" são visões cândidas. Há no livro muitas lágrimas e destroços de naufrágio. Abundam certos lances sensuais e certas expressões que podem ferir ouvidos menos acotumaos aos gritos e despeitos da vida.

António de Sousa tem o seu lugar numa estante selecta a poesia contemprânea.

 

Denis da Luz

 

NOTA - O recorte de jornal não permite identificar o periódico.

 

 

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