CÉU FECHADO
Maria João Brito de Sousa
12.02.08
Se deito ao mar das horas minha rede,
o lanço é o peso morto da vaidade,
um sabor de luar e tempestade,
pedras de sal para matar a sede.
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Versos que faça, risco-os na parede
entre mim e o caminho da verdade,
onde canta uma inútil saudade
alguém que me despreza e que me pede.
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O meu céu é na paz dos seus abraços,
no vale dos milagres do seu corpo,
na sua pele onde o luar nevou.
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Assim fosse o destino dos seus passos
este sonho perdido no meu copo:
a vida que me deu e me negou!
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In - O NÁUFRAGO PERFEITO
Ed. Atlântida, Coimbra, 1944
IL - ainda com ilustrações de minha avó, Alice Brito de Sousa
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Na faixa cartonada que envolveu a primeira edição da obra (em minha posse)
pode lêr-se:
"António de Sousa é um dos poetas portugueses mais originais na aliança da velha lírica com um humor moderno, rude e fino. Se todos os nossos poetas se confessam, ele é dos poucos que, fazendo-o, contam com o juízo final. Joga o seu jogo a descoberto entre a responsabilidade e o destino." Vitorino Nemésio
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