Amigos! Eis aqui o dos olhos de mel! O Poeta!
.MJoão Sousa

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Terça-feira, 29 de Abril de 2008
TERRA DE SOMBRAS

Nenhum de nós! - Outro que vem? - AQUELE!

- Seu nome? - Fora o meu, se lho soubera...

Só lhe sei o sorriso desigual

numa boca subtil que diz: Espera!

.

Mas não sei - nem sabeis - se é bem ou mal

ouvi-lo; ter, ao dobre dos seus passos,

suspenso o coração de amor fiel

e lágrimas de amor nos olhos baços.

.

Ontem, foi só por ele que nasci?

E amanhã, saberei porque vivi,

se nos for o viver seguir-lhe os rastos?

.

Boca selada, frio espelho de água...

- Irmãos! Porque é só minha a nossa mágoa,

se somos - eu e vós - lama dos mesmos astros?

.

In- Ilha Deserta, Editorial Inquérito, 1954

.

Ilustração de Manuel Ribeiro de Pavia


sinto-me: um bocadinho triste
música: um requiem, por favor. Morreu o Jo.

publicado por poetaporkedeusker às 14:12
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Domingo, 20 de Abril de 2008
NOTURNO

Chegou a noite.

A tristeza,

essa já tinha chegado

com sua oculta certeza,

os seus dentes apertados

e aquelas mãos frias, frias,

que fazem rugas na face.

.

Falámos muito de ti:

daquela esperança cansada

com que nos demos os braços,

e que eu, depois que te vi,

soube que vinha exilada,

de uns vagos, baços espaços,

a quem melhor perdoasse...

.

Ser um sonho, uma promessa,

é muito mais do que a vida!

Se, depois de teres partido,

não pensavas em voltar...

- meu amor, porque deixaste

os teus castelos no ar?

.

In - O Náufrago Perfeito, Editora Atlântida, Coimbra 1944


sinto-me: castelo no ar

publicado por poetaporkedeusker às 15:48
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Terça-feira, 8 de Abril de 2008
REGATA

 

                                                                                    Memorando

                                                                                    Alice Freire F. de Oliveira

 

.

O rio é longo  os remadores são poucos

(cada qual leva ao lado os seus pecados):

uns vão gritando histéricos e roucos,

outros olham o céu como encantados.

.

Voam, no alto, uns avejões de agoiro;

do mastro escorre o sangue da bandeira;

o escudo - uma cruz e um astro loiro -

parece o par de tíbias e a caveira!

.

Que pesados os remos na água morta!

Que tristeza na voz do timoneiro!

- João Ninguém que fechou sua porta

e, afinal, se perdeu do mundo inteiro.

.

Vai ao leme e não sabe o seu destino,

mas o seu nome, agora, é Toda-A-Gente.

Ali tem seu lugar desde menino

e a carta de prego é: - Para a frente!

.

In - Livro de Bordo, Editorial inquérito, Lisboa, 1950

 

 

 


sinto-me: ainda viva...

publicado por poetaporkedeusker às 15:20
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Domingo, 6 de Abril de 2008
MAR MORTO

Vida!

Ao destino dos homens

que mais sou eu para a amar

com esse amor impossível

que me abrasa e me regela

- onda rolada na alma,

prece nos olhos e sonho

em mim todo -

que me redobra e me toa

como um bordão em espasmos?

.

Que noite em mim quer ser dia

e que inferno ser o céu?

.

Porque se prendem a ti,

ó mão das minhas quimeras,

as mãos que pedem esmola,

as asas frustres, sem voo,

os cegos

e os desprezados

nas sombras dos seus pecados?

Almas e coisas que suam

sua mudez condenada,

porque me escolhem a mim

para eu falar por elas;

para que as diga esta voz

só de palavras quebradas

como lanças na derrota?

.

Menino-Desconhecido,

Senhor Deus! Quem me conhece

e me lavrou a sentença?

.

"Tu, desertor cobarde e mentiroso,

porque entregaste sem timbre

em feitiços de amor o teu condão?

Estrela de papel,

mago pintado em "clown",

histérico bufão,

vulcão de lodo,

de ti queremos apenas

a tua confissão.

.

A tua outra verdade

como o resto... é só vaidade.

Sim! Conhecemos-te bem,

traidor nosso e nosso irmão!"

.

In - Livro de Bordo, 1ª edição,

Editorial Inquérito, Lisboa, 1950


sinto-me: advogada...
música: só quando o PC tiver placa de som

publicado por poetaporkedeusker às 21:55
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