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antoniodesousa

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Amigos! Eis aqui o dos olhos de mel! O Poeta!

.MJoão Sousa

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LUAS


Maria João Brito de Sousa

24.01.09

Lá fora o luar é um vendaval de luz,

como este amor desvairado

que nasceu numa hora de pecado

e há-de morrer numa cruz!

 

Lá fora o luar é um dilúvio de alvura:

o teu corpo arripiado

quando o tenho nos braços enleado

e os teus olhos são lagos de ternura!

 

Hoje fiz-te chorar. Eas tão linda assim!...

(Lá fora o luar pela noite sem fim

é um duende a correr por montes e quebradas!)

 

São luas, sabes, meu amor? Desejos

de te ferir para beber, aos beijos,

as tuas doces lágrimas salgadas!...

 

 

In "Caminhos", Lisboa, 1933

 

Imagem retirada da internet

ARIANE, JEUNE FILLE RUSSE


Maria João Brito de Sousa

16.01.09

 

 

Ágeis, as suas mãos querem voar;

falam de incertas, vagabundas viagens

e nos seus olhos, cheios de miragens,

dançam raios de sol e de luar.

 

Sua bôca, talhada p`ra beijar,

sofre. No seu sorriso erram imagens

duma dor condenada a não chorar:

vislumbres de enigmáticas paisagens...

 

Flexível como um ramo de salgueiro,

seu corpo tem a graça de uma onda

e é forte como o arco de um guerreiro!

 

É a fonte no deserto e o vento em calma

e a pedra de ara e os oiros de Golconda

o mistério sem par da sua alma!

 

In "Caminhos", Lisboa 1933

 

 

 

CARTA DE LONGE


Maria João Brito de Sousa

04.01.09

                                                              Pöertchasch-am-See

                                                              Austria - Maio, 1923

 

Minha adorada mulher:

Aqui vão em duas linhas,

As saudades que adivinhas.

Tantas que nem sei dizer!...

 

Ando por terras estranhas,

longe do meu Portugal.

Atravessei rio e val`,

terra chã e altas montanhas

 

Mas onde quer que passei

achei-me sempre sòzinho:

lembrei-me sempre do ninho,

da rôla que lá deixei.

 

Este sol que me alumia

é triste, nem dá calor:

não é como o teu amor

que é sol de noite e de dia.

 

O céu é mais desmaiado

e assim a modos de estranho.

Inda não vi um rebanho

nem um pastor de cajado.

 

Moro à beira dum lago

de águas mansas como escravas...

Antes quero as ondas bravas

do mar que nos olhos trago!

 

No pálio que se descerra,

de tanta côr! às tardinhas,

eu procuro as andorinhas

que vêem da minha terra

 

E as andorinhas amigas,

nas curvas que vão traçando,

parece que estão marcando

voltas das nossas cantigas...

 

...Adeus minha companheira

das minhas dores e alegrias!

- Agora e todos os dias

seja Deus à tua beira!

 

E, lá do alto do céu,

te dê graça ao teu desejo!

Mando-te a alma num beijo

do teu António, só teu.

 

 

In "Caminhos", Tipografia da Seara Nova, Lisboa, 1933

 

Vinheta da Capa de Diogo de Macedo

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