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.MJoão Sousa

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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
POETA, 1951

Nem luar, nem estrelas. O céu denso,

noite densa e total.

(Quantas cores furtou para as não ver?)

O sal das suas lágrimas num lenço.

Sua vida banal

sabe a perder.

 

É de si que se data e que é revel.

(de tudo quanto espera tão dorido,

trai a sua verdade e nem dá conta...)

Atro, o fogo do amor, queimou-lhe a pele

e a alma nua de que vai vestido,

e só à terra o coração o aponta.

 

Um sino ao longe, à bruma doutras vidas,

a sua voz sonâmbula murmura,

onde era para ser clamor ou canto,

sete rimas perdidas.

(Dessas areias mortas de secura

nem demónio, nem santo!)

 

- A enganar o destino, faz-se duro?

(O moinho da saudade está sem mós.

Assim não vale a pena ser moleiro...)

- Gritam-lhe: Contra um muro!

gemem-lhe: Venha a nós!

e ele... enche o cinzeiro?

 

Que vos importa esse quieto desprezo,

se o anjo dos seus dias o provoca

só em sonhos, de leve?

- Deixai-o lá queimar seu fogo-preso

e ser brando ou cruel na sua toca!

Ele é de passar, breve.

 

 

In "Linha de Terra", Lisboa, 1951

 

 


sinto-me:

publicado por poetaporkedeusker às 23:02
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2 comentários:
De cateespero a 20 de Dezembro de 2008 às 19:12
M. João
O Natal não pede licença, chega e entra…
Eu entrei e fiquei a sorver tamanha arte...
Feliz Natal! Abraços! António


De poetaporkedeusker a 20 de Dezembro de 2008 às 23:12
Eu gosto muito, muito, desta poesia de "verso desarticulado" dele!
Feliz Natal, António!


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