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antoniodesousa

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Amigos! Eis aqui o dos olhos de mel! O Poeta!

.MJoão Sousa

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DESPEDIDA


Maria João Brito de Sousa

26.03.09

 

Flor de luxo, frívola e bela!

- O não subir à janela

dessa impossível virgindade

não me sabe a demência:

se fujo, é certo, da ci~encia

de quanto é inútil combater

vestido só de verdade.

 

Peixe de cores num rio claro!

- A sede bebe a água e deixa o peixe...

Vena outro pescador e o pague caro;

faça o preciso;

empenhe as barbas, o juízo

e não se queixe!

 

As minhasvelas são para a raiva do vento!

Rudes, não é o sopro de um beijo que as enfuna:

- Filha de El-Rei, guarda os teus patos na laguna!

Eu levo o sonho em que tu voas como o vento.

 

 

In "Sete Luas", 2ª Edição, Editorial Inquérito, 1954

 

 

Imagem retirada da internet

LENDA DO PATO BRAVO


Maria João Brito de Sousa

19.03.09

LENDA DO PATO BRAVO

*

Voa no céu

- tão alto! -

um pato bravo,

e a onda do seu grito

rola no sangue vivo do poente:

 

"Suam-me versos estas noites velhas

que me descem dos olhos,

lá do fundo,

onde é, talvez, o coração que vê.

 

Digo ao que vem à frente dessas horas:

- Aqui, viver ou morrer,

mas devagar!

E grito o meu orgulho a sete luas mortas...

 

Depois, gran-duque e senhor

e rei de um reino de pedir às portas,

choro

e esmolo o pão da vida

aos que de vida são fartos.

 

E peço amor a algum beijo

gasto, cansado, caído,

que ia a destino e me bateu na boca.

 

- Há por aí farrapo pra vender?

 

Sou o dos olhos de mel...

Sou o menino dos luares doridos

que esteve nove meses de joelhos

a rezar o seu medo de nascer".

 

Voa no céu,

tão alto,

um pato bravo,

agora, no silêncio

do deserto e das almas que se fecham.

 

O vento servo dos deuses,

certeiro o gume da faca,

mete-lhe o vôo entre fatias de ar:

um "hors d`doeuvre" de apetite

para os papões demiurgos

dos caminhos para Ser.

 

- Pronto! passou!

Prossiga esse banquete!

 

O guisado de sóis vem para a mesa.

Continua o roer da Eternidade.

*

 

António de Sousa

In "Sete Luas", 2ª Edição, Editorial Inquérito

Lisboa - Maio de 1954

 

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