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NO DIA MUNDIAL DA POESIA, ACERCA DE ANTONIO DE SOUSA


Maria João Brito de Sousa

21.03.09

A poesia, na nossa terra,atira para o campo da estreia com algumas dezenas de nomes, durante o ano. Uns prometem ser alguém; outros escapam pela tangente; outros, ainda, são uma verdadeira calamidade.De quando em quando, no meio desse número de principiantes, aparece um veterano, daqueles que já entraram ou estão quase a entrar para o caminho da consagração. Estes passam e tornam-se imediatamente notados, como é de calcular. É assim, a modos de quando desfila um regimento, aqui e além, aparecer, destacado, um oficial. E como com esses oficiais acontece, as patentes são diversas. mais altas e mais baixas. Sucedeu isso mais uma vez, agora. depois de terem passado vários desconhecidos, surge um nome que de há muito soube tomar o preciso relevo. refiro-me a António de Sousa, um poeta que se impõe pela obra já publicada e que mais se eleva com este novo livro "Linha de Terra", hásemanas posto à venda, com uma capa desenhada por Manuel Ribeiro de Pavia.

Continuando dentro da sua costumada maneira de ser, António de Sousa, andando, como sempre, encostado ao seu curiosíssimo bordão de "Modernista", sem contudo se embrenhar demasiado em em nebulosidades escusadas, apresenta temas de forma a que, quem os leia, não sinta hesitações perante a belea e a emoção que encerram.

O autor prossegue a ua viagem de inquietante "nauta" que se encontra na sua "Ilha Deserta", se engrandece enquanto "Náufrago Perfeito", soube singrar, sem escolhos, na "Jangada" e nos deu notícias da sua intranquila viagem no "Livro de Bordo", conhecedor da arte de bem conduzir a nau da sua inspiração, velas erguidas para oceanos de longínquo sonho:

 

"Trouxe o navio a querena

a esta praia pequena..."

 

Como ele próprio nos diz no introito deste seu livro.

Praia pequena, segundo me parece, quer dizer que são poucos os poemas que, neste volume, agora nos dá, mas grande na sua intenção, na emotividade, na ânsia que alcança, que conduz a outras praias, sempre no mesmo intenso e dominador gesto de "perfeito timoneiro".

(continua)

 

In "A República" , artigo não assinado, datado de 15 de Fevereiro de 1952.

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