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antoniodesousa

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Amigos! Eis aqui o dos olhos de mel! O Poeta!

.MJoão Sousa

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À LA MINUTE


Maria João Brito de Sousa

27.09.08

 

CORAÇÃO sem fronteiras,

eu não escolho:

amo!

 

(Eu nasci na Calçada das Virtudes,

e a Charitas, diz S. Paulo,

é delas a maior.)

 

Mas em dia em que esteja inchado das vaidades

ou de mau fígado,

fecho o velho breviário de humildades

e (se posso)

parto a cara ou a alma ao primeiro sujeito

(até posso ser eu...)

que me falte ao respeito!

 

Pobre António!

- O meu amor é um jeito de preguiças,

ou esta fúria de cobarde-valente

e esta proa...

serão só traças do Demónio?

 

In - "Terra ao Mar", Editorial Inquérito, 1954

 

Imagem - Ilustração da capa - Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia

 

 

SALMO


Maria João Brito de Sousa

20.09.08

 

De não saber morrer me vou vivendo,

inquieto, como os bichos acossados.

De vez em quando um beijo,

e os meus cuidados

como um ventre de grávida crescendo

a um parto que não vejo!

 

- Lua de versos, ó madrinha incerta

das minhas horas nuas, cor de lava

dessa illha deserta

onde o meu sonho cava

com as unhas em sangue o seu caminho!

Ó lua errante por um céu maninho,

se não podes salvar-me, dize ao vento

que me desfaça esta carne pesada

e me semeie os ossos, noite fora!

 

(O meu tormento

é a sombra varada

duma dor que demora

além da sua hora.)

 

- Ó lua, mãe de medo,

deixa, ao menos, uivar-te o meu segredo!

 

 

In - "Terra ao Mar", Editorial Inquérito, 1954

FALSETE


Maria João Brito de Sousa

31.08.08

 

Ainda clamam por mim horas carnais, e eu digo

o meu sermão de lágrimas irreal.

(Da lenha que arde mal,

o aceno das chamas é sem perigo:

só promessas de fumo, vagas cousas

inúteis, sujo o ar de formas imprecisas.)

- Coração meu, que nunca te enraízas

mas, fluido, pesas como as negras lousas!

 

Falhado que não podes estar só,

e aos que podem soas a pretextos!

Para quê desdobrar-te em magros textos,

se tu nem sequer sabes fazer dó?

 

Sete, setenta vezes sete-luas

e não estás nem perdido nem rumado!

Arredado,

em ti mesmo flutuas.

 

O corpo em alma , a renegar certeza,

pôr surdina ao instinto é só virtude?

- Pode ser mera falta de saúde

e, se é viver a medo, uma torpeza!

 

- Pecados? O pior é nem os ter!

(Ai de quem foge a se cumprir inteiro!)

A tristeza que faz ver um veleiro

na água morta de um porto, a apodrecer!

 

Terra, Céu, Mar - a Vida e tu - que nojo!

Espumas.

 

Ao vento da verdade, à flor da vaga,

qualquer nada te esmaga

e só morte ressumas!

 

 

In - "Terra ao Mar", Editorial Inquérito, 1954

 

Imagem - Fotografia de um pormenor do nº 1 da segunda série da

               revista Presença.

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